terça-feira, 2 de outubro de 2018

Vacay

Mais um ano com umas férias condicionadas. Há que pensar que podia ser pior, e nem ter férias nenhumas... 
O meu marido vai fazer uma vasectomia. Amo-o ainda mais por isso. Sei que o faz porque não quer de todo ter mais filhos -depois de tudo o que se passou, eu também não- mas não deixa de ser um acto heróico. 
Mas vejam só: uma intervenção de 20min, que sim até pode ser um pouco mais, com anestesia local, e terá que ficar pelo menos 3 dias em repouso absoluto. Ah, sem pegar em filhos ao colo. 
Como esta sociedade está ainda tão machista... eu faço um aborto, não corre bem, ainda me aparecem uns quistos enormes e causadores de dor, e vamos lá embora a trabalhar, a cuidar dos filhos, da casa, e rapidamente emanar hormonas sexuais para não corrermos o risco do nosso marido olhar para o lado. 

sábado, 21 de julho de 2018

Zurich

Há 10 anos estava a aterrar neste aeroporto para fugir a uma tempestade em Munique. A caminho do Dubai. Lembro-me que chorei quando tive que ir a pé do aeroporto até ao hotel, onde recebi um voucher da Lufthansa para uma noite e uma refeição, pois devido à tempestade não tinha sido possível aterrar em Munich, tendo então divergido para Zurich, mas de onde só poderiamos sair no dia seguinte. Lá ia eu na rua, com uma mala de porão cheia de roupa de verão -mas com umas mãos geladas, um casaquinho e uma t-shirt por baixo- a atravessar a estrada, tremendo de frio, a tentar deslizar a minha mala pelo caminho cheio de neve. Lagrimas caiam-me pela cara abaixo. Bonito cenário. Hoje dá-me para rir, mas garanto que chorei bastante naquele momento. 



E há exactamente 1 ano, 16 de Julho de 2017, estava eu a caminho de um hospital, em Lisboa, com tantas lagrimas na cara que não conseguia simplesmente ver nada a frente. Parecia que caminhava para o corredor da morte. E de facto era mesmo isso que estava a acontecer. Não a minha morte, mas de um pequeno ser que estaria a crescer na minha barriga, ja com bracinhos, perninhas, maozinhas... 
Esta manhã, exactamente um ano depois, numa cidade longínqua, mais especificamente Valetta, em Malta, também me dirigi a um hospital, para me dizerem que estaria provavelmente com uma gravidez ectopica. Aconselharam-me a ficar, mas assinei um termo de responsabilidade e vim me embora no primeiro voo possivel. Fiquei aterrorizada com todo o possivel cenário, e não estava a acreditar que passado exactamente um ano iria viver outra vez um pesadelo relacionado com uma gravidez. 

Mas confesso que também me aterrorizava a ideia de que poderia acontecer-me algo longe da minha familia. Fez-me tanta falta a mão do meu marido, os abraços dos meus filhos. Não podia acreditar que algo me poderia acontecer assim longe deles... 

terça-feira, 5 de junho de 2018

Mudar de vida?

Estou a um triz de mudar a minha vida do avesso. 
Encontro-me numa encruzilhada tal que não sei se me despeça "amanhã", ou se arraste e comece em paralelo algo novo.