Uma amiga minha ante ontem disse-me isto, e no dia a seguir ouço a Nelly Furtado a cantar o mesmo. E faz todo o sentido. Quando temos 16 anos, achamos que sabemos tudo, é só certezas, e depois vamos sabendo cada vez menos, e acabamos por nos esquecer dessas certezas que tinhamos, porque naturalmente tornaram-se outras coisas que não verdade.
Sinto borboletas... como é que é possivel? E este medo então, de que tudo pode falhar, nem sei se é menor do medo que sinto caso não falhe... serei merecedora de tal coisa? uma história de amor em que tudo bate certo, em que sentimentos são recíprocos, em que existe algo palpável, e sobretudo, em que não há receio do amanhã, o que vier virá.
Uma velhinha a chorar, o filho a dar-lhe a mão, chorava também. Tinha aberto a cara em cima dos olhos, na testa, estava cheia de pontos. E choravam. E ele dizia: "oh mãe nao chores que vai doer mais". Queria estar ali e dar-lhe a mão também, mesmo não a conhecendo, e até dar ao mão ao filho que não estava doente.
Dava sopa ao mesmo tempo ao Sr. ? que tinha tido um problema do coração, e que tinha o lado esquerdo paralizado por causa de um AVC há alguns anos. Que ar tão querido que ele tinha... senti-o um pouco incomodado com o facto de eu lhe dar a sopa no inicio, mas depois passou-lhe. Falámos, falámos, e depois tive que o deixar...
A Sra. Bernardina: "isto nunca me aconteceu, estar assim tão dependente, terem que me dar comida". "Não faz mal Sra. Bernardina, isto passa".
Não quero ir ali para minha própria terapia, quero ir ali para aliviar um pouco alguma dor, para poder transmitir algum sorriso a outros que sofrem e que choram. Mas não conseguimos evitar, faz-nos bem também ver que os nossos males são sempre relativos. Só me doi quando depois me vou embora, e sei que ficam todos ali, mais um dia, mais uns dias, são transferidos, não sei se vão para casa, se têm casa, se têm apoio... e nós voltamos às nossas boas vidas. É justo?
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