“Bonjour S., bonjour à tous”, foi o que ouvi hoje na radio, às 05h30 da manhã, a caminho do aeroporto. Parecia mesmo para mim.
Regresso a casa com uma sensação de “closure”, ou melhor, “resolution”, como ele dizia. “Tu te sens résolue? Moi pas”. E assim pela segunda vez, um amor acaba pela minha própria mão; pela segunda vez, aquele que eu escolhi, pu-lo de parte e já não o quis mais.
“On est pas sur la meme longueur d’onde”. De todo. E quando as coisas acabam, perguntamo-nos como alguma vez falámos a mesma linguagem.
Vi de mais perto a tragédia suiça em que 22 crianças perderam a vida. Ás vezes ocorre-me que o único lado bom de não ter filhos (além de obviamente poder fazer o que quiser às horas que quiser), é de não ter a hipótese de sofrer pela perda de um. Gostava de ter ficado lá, queria de repente largar tudo, esquecer as minhas responsabilidades e correr para aqueles pais, irmãos, médicos, e prestar todo o meu apoio. Mas não sou uma pessoa com “lata”, infelizmente. A maneira mais simples de se estar na vida é não querer saber o que os outros pensam ou dizem, assumindo os seus actos, confiante dos mesmos, e seguir sempre em frente de cabeça levantada. Quantas vezes queremos ser assim e no entanto sai-nos tudo ao contrário?

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